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Mostrando postagens de agosto, 2008

menor metade.

Em algum lugar de um passado recente, um garoto tomou uma decisão mas se partiu ao meio. Um pedaço é o inteiro anterior, e vive sua vida de sempre. O outro pedaço está por aí, nas visões do inteiro quando ele pára. Ele parou num canto de um hospital e viu a metade menor vagando entre paredes sem cimento, quando um vento frio aterrissava naquele subúrbio. Ele viu a metade estática, fazendo o que sempre lhe deu prazer. Ele viu a metade menor em campos verdes, enquanto espiava da janela de um ônibus as paragens onde nunca passeou antes. Lá estava a metade no meio da pastagem, no meio do Brasil. Ele viu a metade menor em cantos escuros da sua sala de estar, no momento em que desejou ficar ao invés de se levantar e fazer seu trabalho entediante costumeiro. Cada vez que deixava sua metade nesses cantos, campos e coisas, partia outra metade em si sem sabê-lo.

a curva e a reta.

Um apresentador de um programa de rock para adolescentes tinha o costume de se embriagar, cheirar cocaína e logo em seguida ser espancado e penetrado por um séquito sadomasoquista anônimo. Sempre terminava essas noites na sarjeta, sem uma de suas próteses dentárias dos incisivos e ao lado de um mendigo. Um dia, o principal anunciante comercial do apresentador decidiu, obedecendo a uma cláusula contratual, rescindir o contrato milionário que tinha com ele. Após dois anos de acúmulos de dívidas, perdas de imóveis e aumento da demanda de cocaína, o apresentador perdeu tudo. E o mendigo continuou na sarjeta.