há dois anos atrás, haviam pequenas ilusões que ainda não tinham sido destruídas. Elas ocupavam pixels do meu rosto, ali, entre a glabela e o queixo. Os lençóis testemunham o primeiro esquecimento do dia, e com eles vão juntas essas coisas tortas que criei. A cada dia mais, as ilusões desabam do meu rosto e se perdem no esquecimento das noites. O que é a morte senão o desejo de se libertar de uma existência pútrida e incolor? Eu realizo e caminho, mas a fome desampara e riste ao chão, minha cabeça desmaia. Caio, levanto, caio novamente, sorvo o amargo de uma existência senil, olho ao redor, só me vejo sempre, caiado entre quatro paredes de carne. Há cinco solidões. Aquela dos corajosos, aquela dos ousados, aquela dos meditabundos, aquela dos tristes, aquela dos medrosos. Ainda não me situo direito entre todas elas. A vida passa como um esbarrão na Carioca. Você se machuca e não sabe do que foi.
Não tenho medo de Deus. Ele sorri para mim quando conversamos. Não precisa espalhar, mas acho que Ele não está nem aí pra toda a abstinencia dos Cristãos. Seu sorriso é no fundo um pouco sarcástico. Um sorriso que ao mesmo tempo ri das coisas e se pergunta: para que tudo isso? Para mim? A minha Lei é tão simples... Jovens que tem culpa até de se masturbar; mulheres que tem vergonha de fazer sexo oral com seus maridos; homens que tem vergonha de beber um cálice de vinho; um adolescente que se sente culpado por gostar de rock. Eu falo de coisas que parecem de um texto da década de sessenta, mas muitos ainda se preocupam com essas questões em pleno 2008. Eu passei por tudo isso me ferindo um pouco, mas no alto dos meus poucos 25 anos olho para Deus e ele ri. Não preciso me transformar num ateu para não ter vergonha do meu desejo, e Deus ve que isso é bom.
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