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Mostrando postagens de maio, 2008
Vou passar o resto dos meus dias desse momento a dormir, a levantar, a comer e a ver as luzes solares entrando pela janela a tarde.

O maior por-do-sol do mundo.

Vivo a maior tarde da minha vida. Espero o sol morno se por, mas ele não desce. Quando essa tarde acabar, chorarei as dores típicas do infiel. Um mormaço religioso paira sobre mim, a despeito do belíssimo por-de-sol que projeta através das janelas telas de uma utopia do instante em Technicolor. São as agruras de um parto que insiste em se trabalhar dentro de mim, esse miasma cristão que insiste em me infectar. O por do sol é uma das coisas mais tristes que o homem criou a imagem e semelhança de Deus. Com a graça de Deus, renovam-se as esperanças de uma boa morte. Quando essa tarde acabar Espera o trem fumegar Espera o sino luzir Com a luz do Sol vermelho é tudo tão belo o dia está bom pra morrer e sorrir. Minha mão tem um sinal que fala de outra vida que não a minha em outro lugar. O corte da mão corta meu coração e o coração do escorpião. A via da dor é o caminho da combustão.
Esses dias assopram rasteiros. Tem um cheiro de brisa. Caminho lentamente e penso que sou velho. Escrevo a última frase e vou dormir.