Vou passar o resto dos meus dias desse momento a dormir, a levantar, a comer e a ver as luzes solares entrando pela janela a tarde.
As cinco solidões do imperador amarelo.
há dois anos atrás, haviam pequenas ilusões que ainda não tinham sido destruídas. Elas ocupavam pixels do meu rosto, ali, entre a glabela e o queixo. Os lençóis testemunham o primeiro esquecimento do dia, e com eles vão juntas essas coisas tortas que criei. A cada dia mais, as ilusões desabam do meu rosto e se perdem no esquecimento das noites. O que é a morte senão o desejo de se libertar de uma existência pútrida e incolor? Eu realizo e caminho, mas a fome desampara e riste ao chão, minha cabeça desmaia. Caio, levanto, caio novamente, sorvo o amargo de uma existência senil, olho ao redor, só me vejo sempre, caiado entre quatro paredes de carne. Há cinco solidões. Aquela dos corajosos, aquela dos ousados, aquela dos meditabundos, aquela dos tristes, aquela dos medrosos. Ainda não me situo direito entre todas elas. A vida passa como um esbarrão na Carioca. Você se machuca e não sabe do que foi.
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