a timidez furta-cor

eu não sei dizer palavras com intenção, elas pulam e pululam em minha boca ulcerada. Elas são mais ou menos o que o poeta quis dizer em mais tempo hábil, em mais consideração ao leitor. Não saberia mais nada além disso, justificar-se em pranto literário desonesto.

Outrora havia um escritor mais moço, mais viril, menos valente como hoje. Menos prozac, menos platão, menos sinuoso. Havia um escritor de esqueletos nus, que evisceravam palavras chocantes. Eu não sei, não posso mais calar sonoramente como antes. E o falar se esvai, fraco como um tambor no meio de uma orquestra.

Tímido como sou, o prazer é calar perante o escândalo. O meu maior gozo hoje é me esconder e me envergonhar dos delitos que não cometi.

Comentários

joao carlos disse…
AH RODOLFO!QUANTA SABEDORIA EM SUAS BELAS E POÉTICAS PALAVRAS. SINTO TODAS AS TIMIDEZ.NÃO SEI DEFINIR CORES.QUERIA NÃO TÊ-LAS.SINTO ME MUITO TRAVADO E VIVER ASSIM É MORRER LENTAMENTE.AS MÃOS NÃO ME LIBERTAM AS IDÉAS TRAVADAS,PARALÍTICAS.MAS LENDO O QUE VOCE ESCREVE ME ILUMINA UM POUCO DE MINHA ALMA. OBRIGADO E QUE OS ANJOS PULULEM CADA VEZ MAIS ESSA MENTE TÃO JOVEM E BRILHANTE JOÃO

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