Dos seres de papel
As histórias da minha mãe são povoadas de seres obscuros, daqueles cujas vidas e mortes são rememoradas apenas por pessoas num raio de 3 quilômetros de onde estes seres viviam, e numa cidade que não existe mais. Na verdade, Itaguaí ainda existe, mas sabemos que cidade alguma nunca mais será a mesma. Você já parou para pensar que milhões de seres humanos passam pela Terra sem deixar rastro na sua superfície? Os metais, que registram placas de homenagens, saudações, recordações, não os mencionam. E cada dia mais, percebo que os homens que forjam seus nomes no metal assim o fazem pela sua dureza, sendo esta muitas vezes um instrumento da tirania e da psicopatia destes. Os doces, medíocres, bons e resignados são como feitos de um material frágil, incapaz de arranhar superfícies. Esses homens poderiam ser chamados de 'homens de papel'. Não que eles tivessem ideias brilhantes, ao contrário. É que esses homens deixam a vida e o único registro que temos dele estão em papéis, que tamb...