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Exaustão

Não dormi, e começo a lentamente evitar barulhos, raciocínios e pessoas. Não dormi, e preciso continuar Quantas vezes me deparei com esta sensação E agora estou escrevendo uma coisa que não é prosa, nem poesia Apenas pelo desespero de escrever antes de interromper essa rara ocasião de me expressar quando essa poesia acabar, vou atender não sei quantos pacientes depois, vou assinar o ponto de presença ir em direção à lanchonete, comer uma esfiha com café depois chegar em casa, colocar as roupas pra tomar sol, tomar banho e deitar-me longe de todos antes de todos acordarem antes de surgir meus arrependimentos e as coisas que poderia fazer acordado.

Inspiracional do dia

Inspiração é sentir uma emoção inebriante ao se escrever uma coisa que poderia ser escrita de forma melhor, estando-se completamente sóbrio.

provação e inspiração

 Enquanto as provações trazem inspiração a uns, depleta a energia mental de outros, sufocando talvez a coisa mais importante que poderia lhe ajudar numa hora dessas: a inspiração de escrever uma poesia.

Chega de dissertação

Cada dia mais enojado em ser dissertativo.  Leio todas as dissertações desse blogue com um comprimido de plasil ao lado. Eu me perdoei, mas não quero mais ser chato até para mim mesmo.

a grande dádiva

Ele dá braçadas lentas e cansadas para atravessar a densa atmosfera de desalento da sua existência cada dia mais sem sentido, ancorado por alguma coisa sutil demais para ser descrita, que lhe protege, mas lhe escraviza: grande dádiva da existência! 

Senilidade

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Eu não gosto nem desgosto de idosos. Antes deles serem idosos, são seres humanos, com suas respectivas idiossincrasias. Eu gosto ou desgosto é de pessoas. Psicopatas e pessoas nobres envelhecem do mesmo jeito (isto é, se o psicopata sobreviver às consequências dos seus atos), e há um ditado que circula, à boca miúda, de que o velho diante dos seus olhos, debilitado, pode ser um filho da puta que envelheceu. Isso explicaria (embora não seja uma justificativa) o fato de muitos idosos serem abandonados por aí. Além de não ter nenhuma raiva ou preconceito contra a senilidade, eu tento fazer um exercício mental para preservar o meu respeito a eles. Eu penso que um dia envelhecerei. Esse exercício é fundamental numa rotina onde eu sou obrigado a atender centenas de idosos por semana, num plantão de emergência. Muitas vezes, eu vejo que os idosos são levados desnecessariamente ao pronto socorro. Ter algum pensamento disciplinador é fundamental porque muitas vezes eu me deparo com um sent...

queria ser um aquivista

Certo dia, tive de ir ao Arquivo da Universidade onde estudei, com o intuito de coletar algumas informações para uma pesquisa da história da faculdade de medicina. Foi lá que me deparei com a figura do arquivista. Era um homem de óculos grossos, baixo, pouco volume no tórax e talvez homossexual enrustido, mas não era isso que me atraiu nele. De fato, toda a descrição foi necessária para mostrar que talvez esse homem pequeno encontrasse refúgio para seus conflitos lá. Entre dezenas de estantes abarrotadas de arquivos que nunca mais serão abertos, circulava uma brisa lenta e fria, nunca antes aquecida pela umidade e calor dos corpos de funcionários tagarelas. Por quanto tempo esse homem ficara calado durante o dia? Receio que por horas, afinal ele titubeou quando conversava conosco, demonstrando total falta do exercício da loquacidade. À época em que visitei o arquivo, era jovem, tinha mais amigos do que hoje e uma vida feliz, mas devo confessar que senti imenso apreço por aquele lugar. ...