amormancia

Começa sem fazer muitos predicados. O tema é retratado desde a Grécia Clássica. Salomão o escreveu, e na época comparar mulheres a belas vacas era elegante. Descreve o amor, mas com o menor descuido cairá num poço de clichês.

Caiu. Já via as citações de flores, cor-de-rosa, lareiras, fogos de artifício e espumante. Via as bebedices, as penúrias do abandono. Kisch kisch kisch. Seu peito abriu-se generosamente a frases descompassadas de Gershwin, Andrew Lloyd Weber e Djavan. Justificou a falta de rigor por estar embriagado de um certo livor amoroso.

Deixou de lado o cientista, a astrologia, a lógica cartesiana, e mergulhou. Só queria os fluídos e o esforço do gozo, a boca, o cheiro e as ferramentas para repetir isso ad eternum. Presença e toque.

O cheiro acre das secreções femininas proporcionava-lhe uma gélida sensação na barriga, quentura no peito, e o resto do corpo era percorrido pela consciência, focalizada ora no pênis, ora na nádega direita, ora no pé. A seguir, dizia coisas das quais se lembraria.

Pela primeira vez, dormia debaixo de uma mulher, sem se queixar dos cotovelos. Das outras vezes, os corpos de outras se separavam numa antipatia orgânica após o coito. Para tecer seus prognósticos, o astrólogo vê planetas e estrelas; o amante, sinais foscos.

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