Mirna
Filha de um historiador comunista e de uma escritora francesa, Mirna era a típica mistura que poderia ser encontrada numa cidade cosmopolita como São Paulo ou Rio de Janeiro. Fumava Lucky Strike e era paradoxal. Dentro de si, conseguia conviver o comunismo bolchevique e o consumismo norte-americano. Marx, Stalin, Stainless Steel, Trotsky, Triton. Frases de Gramsci eram misturadas com pitadas de Foucault e risíveis citações de Quem mexeu no meu queijo, que ela lia só pra rir e fazer piadinhas entre suas amigas Daniela, Vanessa e Morgana. Esse era o prelúdio da noite. Mirna precipitava o sexo jogando um arsenal intelectual pujante nos seus homens. Eles tinham que gostar de conversar sobre tudo, inclusive do seu hábito de fumar. E o cigarro, é claro, recebia dela a piada freudiana de que "a fumaça preenchia o espaço do pai ausente". Frequentava a Lapa e gostava do cheiro de cigarro, canela e maconha que permeava as ruelas. Quando roçava nas pessoas na boate lotada, ela se excita...