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Mostrando postagens de agosto, 2011

o deus desconhecido

os versos sombrios foram lidos pelo pastor das almas. O pastor das almas conjecturou ao perdido? Esta voz é o Espírito Santo a lhe consolar o deus desconhecido de Paulo em Atenas. Os gregos tinham tantos deuses que adoravam até o deus que desconheciam e Paulo disse a eles que tal Deus era o Deus que enviou o Filho Eu não sei se a voz seria o Deus que enviou o Filho Embora pudores mil ainda me impeçam de questionar o que o pastor disse A voz não me dissuadira de modo algum E continuo tácito à beira do abismo.

Dos seres abissais

Essas criaturas horrendas De mil dentes e olhos brilhantes Invadem os sonhos mais secretos Após olhar o abismo, eu as vi Saltitando entre um vazio e outro Devorando lufadas de ar, os seres famintos clamavam minha alma suicida Mas a voz, essa mesma voz que o abismo me mostrara Novamente a me sussurar, revelou-se Tais seres não comem. Acaso queres pular?

Abismo

Não sei dizer o que sinto Mas não dou um passo adiante Tampouco retrocedo. Pensamento que não se move Uma vertigem invade meu peito. Sinto a mão em meu ombro E um sussurro amigo: Estás a sentir o abismo. Como pude não ver diante de mim Esse acidente da natureza Decerto que a cegueira imperceptível Se instalara tão lentamente Desde tempos imemoriáveis. Quando ouvi essa voz, minhas retinas cansadas se curaram E o abismo que estava diante de mim se mostrou vil e largo. Não há pedras para construir pontes E o abismo não tem fundo

tarde

Já é tarde na vida. O sol brilha mas é débil. A Lua se prenuncia. As estrelas zombam da queda solar. Os jardins não estão mais tão bonitos. As sombras permeiam as réstias de sol. Os recantos se tornam mais escuros. Os vales mais profundos. Os rios se confundem com as planícies. Os fogos medíocres ascendem. Já é tarde. O amor. A chama. O tédio. A constipação. Já é tarde. Os carros cheios de semblantes cansados. A música repete na rádio. A memória fica mais fugidia. Olho repetidamente para dentro de mim e habituo-me comigo mesmo. Entardeço.