Abismo
Não sei dizer o que sinto
Mas não dou um passo adiante
Tampouco retrocedo.
Pensamento que não se move
Uma vertigem invade meu peito.
Sinto a mão em meu ombro
E um sussurro amigo:
Estás a sentir o abismo.
Como pude não ver diante de mim
Esse acidente da natureza
Decerto que a cegueira imperceptível
Se instalara tão lentamente
Desde tempos imemoriáveis.
Quando ouvi essa voz, minhas retinas cansadas se curaram
E o abismo que estava diante de mim se mostrou vil e largo.
Não há pedras para construir pontes
E o abismo não tem fundo
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